Dias de Novembro e o Sol a tentar espreitar
I Dia:
Tic Tac Tic Tac
O relógio da parede mede o tempo, como se de uma corrida se tratasse.
Tic tac tic tac.
O meu rosto velho e cansado impede-me de chorar, ou sorrir.
Minha mente escura impede-me de sonhar....
Olho para a parede, branca, calma, e o relógio continua a sua cantoria, como o refrão de uma melodia.... tic tac tic tac.....
Olho pela janela, lá fora na rua vislumbro a silhueta elegante de uma jovem, cabelo apanhado, óculos, dentes á mostra rindo alegremente. Minha mente vagueia, perdida pela imensidão da minha juventude. Algures no passado, recordo a jovem que fui, julgo nunca ter ouvido o tic tac do relógio. Quando se é jovem, o tempo não constitui nenhuma barreia. Somos jovens e o futuro anda lá longe.
Uma vida inteira, e agora já no fim desta jornada, paro.
Minhas mãos rugosas, as unhas pintadas, habituadas ao vermelho vivo, redimem-se agora ao cor-de-rosa; meus pés pequenos e chatos.
Olho a minha volta. Esta sala revestida a madeira. Á entrada o grande móvel onde jazem os copos das grandes festas que dei. Fotografias, paragens no tempo. E o ramalhete de rosas artificias, como se o irritante Tic Tac não existisse!
A estante de livros ao lado. Rio-me ao relembrar as horas de sacrifício ao me ver obrigada a deglutir 50 paginas de descrições de velhos que eu nunca seria... e agora dou comigo a escrever... ironia do destino...
Mas a vida é tão irónica.....
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
No comments:
Post a Comment